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casa de papelão
Criolo
Olhos nos olhosSem dar sermão
Nada na boca
E no coração
Seus amigos são
Com um cachimbo e um cão
Casa de papelão
Olhos nos olhos
Preste atenção
Olha a ocupação
Só ficou você
Só restou você
Ruivo louco
Sangue em choro
Pra agradar a opressão
Não de foice ou faca
Esquartejada a alma
Amarga amassa a lata
Estoura pulmão
Toda pedra acaba
Toda brisa passa
Toda morte chega e laça
São pra mais de um milhão
Prédios vão se erguer
E o glamour vai colher
Corpos na multidão
Na minha mente varias portas
E em cada porta uma comporta
Que se retrai e às vezes se desloca
E quantos segredos não foram guardados nessa maloca
Flutuar no céu poluído dessa cidade e beber
Toda sua mentira
Esperança minha, torneira sem água
Moeda? É religião que alicia
Vamos cantar pra nossos mortos
Vamos chorar pelos que ficam
Orar por melhores dias
E se humilhar por um novo abril
Não de foice ou faca
Esquartejada a alma
Amarga amassa a lata
Estoura pulmão
Toda pedra acaba
Toda brisa passa
Toda morte chega e laça
São pra mais de um milhão
Prédios vão se erguer
E o glamour vai colher
Corpos na multidão